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Almas que Queimam - Giulia Rizzuto Rosa

Brasil. 18 de Março de 1979.
00:13
Eu e Marcos havíamos terminado. Andava solitária e pensativa pela rua, caminhando lentamente sob a garoa até minha casa. Perdida em meus pensamentos, nem notei que estava sendo seguia. Ou melhor, deveria estar sendo seguida. Um pouco antes de chegar no quarteirão de casa, senti um cheiro de papel e madeira sendo queimados. O cheiro vinha do quarteirão onde havia acabado de passar, e não vi nenhuma fogueira ou queima de nada. Resolvi voltar para averiguar se nenhuma casa pegava fogo, mas após voltas e voltas no quarteirão, concluí que não havia nada. Nisso, segui a rua rumo à minha casa.
Quando estava quase na porta, ouvi um sussurro, acompanhado de passos. Eram quase inaudíveis, por isso não os percebi antes. Quando me virei, dei um pulo e quase caí. Um homem em chamas sacode os braços na esquina, como se pedisse por ajuda. Corri até ele, e ele começou a dizer, em um tom um tanto quanto ameaçador:
- Não sente cheiro de papel queimado, minha querida?