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Mostrando postagens de 2013

Cansaço

Cansei. Desculpa, mas eu cansei. Cansei de parecer forte, auto-confiante, simpática, feliz. Cansei de parecer alguém que não sou, mas gostaria de ser. Cansei de forçar sorrisos. “Quem ri de tudo, no fundo é triste”, já dizia o ditado. Pois é.  Eu sei dos meus defeitos, das minhas limitações. Sei de tudo isso. Sei que sou infantil, chata, ignorante, idiota, orgulhosa. Podia ficar aqui o resto do dia, apenas listando meus milhares de defeitos. Minha auto estima já é baixíssima. Não me acho bonita, legal, muito menos interessante. Me odeio pelo fato de não ser bonita/legal/simpática igual as outras pessoas. Caralho, do que me adianta ser inteligente e tudo, se ninguém vê isso, se ninguém dá valor? Mano, eu juro que eu faço de tudo para parecer alguém legal de se conversar. Aí aquela pessoa que faz meu mundo melhor, fode tudo. É. “Não dá nem pra ser seu amigo”, ele disse. “Então não seja”, eu respondi. Isso me doeu, fundo no peito. Desde então, as palavras que venho ouvindo desde os meu…

Folhas da Vida

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28 de Outubro.

Esse final de tarde está realmente ensolarado! Enquanto o tédio me domina, vou ajudar minha mãe a achar o documento de seu divórcio do meu pai. Ao achar o papel, leio-o umas três vezes, e uma enxurrada de pensamentos inunda minha mente. Como a vida pode ser tão volúvel, e o destino tão maleável? Como uma simples assinatura de um papel pode mudar o destino de várias vidas? Anos de felicidade, risos, momentos memoráveis, almoços de domingo, idas ao parque, presentes de aniversário, livros de Natal, viagens de férias, tudo fora anulado por um amontoado de celulose prensada, cortada e impressa. Tudo fora cancelado por um papel. Uma simples folha de papel.

Folhas. Isso me faz pensar que muitos rumos na nossa vida dependem disso. Acho que o ser humano precisa de algo para convencer a si mesmo daquela decisão, por isso o uso do papel. Usa o papel pra decidir se será aquele mesmo o nome do filho, para decidir se quer mesmo casar com aquela pessoa, e, do mesmo modo, se quer pass…

O iminente fim de uma garota sem fé - Giulia Rizzuto Rosa

Já faz algum tempo que eu não estou muito bem. Nada bem, na verdade. Também, pudera! Meus pais se separaram, meu namoro de quase 3 anos acabou, e eu tive que me mudar de cidade. Está pra nascer alguém que aguente tantas repentinas mudanças. E quão repentinas foram! Acho que a mudança de cidade foi a pior, afinal, meus pais já brigavam há meses, e nada mais óbvio que o divórcio. Mas sair de perto dos meus amigos, que estavam me a ajudando a recuperar do baque da separação, ah, isso foi demais pra mim. Em meados do 3º ano, perto da formatura, me fazer mudar de escola e ter de me misturar com gente que eu não tenho a mínima ideia de quem seja é muito duro, estranho e realmente assustador. Pudera eu ter evitado tudo isso, e como eu queria. Se isso fosse evitado, eu não teria perdido minha fé no amor. Sim, pois meus pais, juntos á quase 20 anos, se divorciaram, entoando a temida frase: "Eu não te amo mais". Sou (ou melhor, era) daquela iludida opinião que preza o amor eterno, e q…

Almas que Queimam - Giulia Rizzuto Rosa

Brasil. 18 de Março de 1979.
00:13
Eu e Marcos havíamos terminado. Andava solitária e pensativa pela rua, caminhando lentamente sob a garoa até minha casa. Perdida em meus pensamentos, nem notei que estava sendo seguia. Ou melhor, deveria estar sendo seguida. Um pouco antes de chegar no quarteirão de casa, senti um cheiro de papel e madeira sendo queimados. O cheiro vinha do quarteirão onde havia acabado de passar, e não vi nenhuma fogueira ou queima de nada. Resolvi voltar para averiguar se nenhuma casa pegava fogo, mas após voltas e voltas no quarteirão, concluí que não havia nada. Nisso, segui a rua rumo à minha casa.
Quando estava quase na porta, ouvi um sussurro, acompanhado de passos. Eram quase inaudíveis, por isso não os percebi antes. Quando me virei, dei um pulo e quase caí. Um homem em chamas sacode os braços na esquina, como se pedisse por ajuda. Corri até ele, e ele começou a dizer, em um tom um tanto quanto ameaçador:
- Não sente cheiro de papel queimado, minha querida?

Não Há Idade Para o Amor - Giulia Rizzuto Rosa

Essa pode parecer apenas mais uma história de amor proibido. Em partes, realmente é. Mas é minha história: a história de uma garota que se apaixona perdidamente por alguém pelo qual ela nunca poderia se apaixonar. Nem ela por ele, nem ele por ela.
Thainá era uma típica adolescente de 18 anos: ouvia música, saía pra baladas, tirava fotos, estudava. Sua matéria favorita era Filosofia. Seu professor também. Embora namorasse, Thainá tinha uma certa quedinha (pra não dizer um abismo!) por seu professor. Ele era alto, esbelto, inteligente, lia muito e tinha um ótimo gosto musical. Mas além de seu namorado – o qual ela adorava – outras duas coisas se posicionavam em seu caminho: Fábio, seu professor, tinha 32 anos, e ele era seu professor! Nunca que ela poderia se envolver com um professor. Bom, pelo menos era isso o que ela achava.
Todas as aulas, Thainá prestava uma irrepreensível atenção á aula. Sempre suspirando á cada passo que Fábio dava, enquanto explicava a matéria. Até que, um belo…

Carta de Uma Rebelde - Giulia Rizzuto Rosa

“São Paulo, 22 de Fevereiro de 2013.
Queridos mãe e pai,
Vocês devem estar se perguntando: “O que Jaqueline aprontou dessa vez pra mandar uma carta após tanto tempo?”. Eu não chamaria de aprontar, mas sim de aliviar. Aliviar a vida de vocês, tornar tudo mais fácil. Afinal, com uma filha problemática como eu tudo se torna mais difícil, não é mesmo? Pois é, por isso decidi ir embora. Não temporariamente, mas pra sempre. E por quê? Bom, todos nós sabemos que há 23 anos sou a ovelha negra da família, ou seja, desde que nasci. Nunca nada que eu fiz foi certo pra vocês, eu sempre “denegri a imagem da família Bustamante”. Desde as tatuagens, raves e shows de rock até os amigos e as saídas ás 2 da madrugada. Desde meus cigarros até minha pequena adega escondida no meu closet. Eu nunca fiz nada certo. Para vocês, eu deveria ser perfeita como minha irmã Clara: notas irrepreensíveis, delicada, recatada, obedecendo-os cegamente e sem nenhuma opinião formada por si mesma. Eu deveria ser uma bundo…

Assassinato em Roddenberry - Giulia Rizzuto Rosa

A cordilheira Roddenberry era linda, principalmente no inverno. Toda a neve que caía em seus cumes fazia cada montanha ter sua própria beleza. E no alto da montanha mais alta ficava o castelo de inverno dos Bakers, uma família milionária do sul da Califórnia.
Todo inverno eles iam ao seu castelo no Canadá para aproveitar as férias dos dois filhos: Gerald e Lucy.
Lucy era uma garota rica, mimada e popular, símbolo vivo da futilidade e do amor ás aparências. Como os pais, era loura, dos olhos extremamente verdes e era completamente linda.
Já seu irmão, Gerald, tinha de tudo para ser daqueles riquinhos esnobes que se consideram melhores que os outros, mas não: ele era o irmão revoltado, por assim dizer. A ovelha negra da família. No auge de seus 17 anos, o garoto fumava e bebia demais, além de sair por aí com roupas rasgadas, cabelo arrepiado e ouvir rock. Para o desgosto de seus pais.
Era a típica família rica americana: pais que só fingem se amar para não sujar o nome da família, a fi…

Chuvas de Um Verão Apaixonado - Giulia Rizzuto Rosa

Chove, uma calma e serena chuva. É mais uma dessas chuvas de verão: tão de repente quando chegam, vão embora. Parece até a paixão que eu sentia, ou melhor, ainda sinto por você. Veio do nada, nas primeiras conversas, mas pelo jeito não vai ir embora tão de repente. Como a chuva tem seus trovões antes de realmente começar, você deu seus sinais que correspondia ao que eu sentia, mas não, eram apenas trovões, daqueles que não trazem a verdadeira chuva de verão. Sabe, eu queria que essa minha chuva apaixonada fosse a sua chuva também, e juntas se tornassem uma tempestade. Daquelas tempestades torrenciais onde tudo o que fazemos é aproveitar enquanto ela existe.  Mas não, a paixão é apenas do meu lado, a chuva é apenas minha e, sozinha, nunca se tornará uma dessas tempestades de paixão correspondida. Mas decida-se: corresponder a chuva genuína que eu te ofereço ou esperar que alguém, que está em tempestade com outro, venha corresponder a tua chuva? Pois é, chuvas são um tanto quanto boas,…